domingo, 3 de julho de 2011

ESPÓLIO INSUSPEITO.....do Poeta Luis Alberto Salerno Miguel

Que exemplo deixarás ao mundo ?
Tua face pálida de cosmético ?
Teu sorriso, quase morte ?
Tuas virtudes, teus esqueletos de família ?
Teus olhos de vidro sobre as coisas ?


Teus errantes passos deixados nas estrada ?
Tua lavra, tua casta poesia ?
Tuas procuras nas mãos distantes ?
Tuas surpresas, teus sobressaltos ?
Teus sonhos inconfessos ?


Tuas mentiras, jamais reveladas ?
Teus olhos distantes, tua imagem no espelho ?
Teus medos, tuas memórias partidas ?
Tua indiferença, teus restos mortais ?
Tua sepultura e tua doce infância ?


Tu com tuas vestes de luz ?
Teus gestos que nunca se modelam ?
O que legarás ao mundo afinal ?



sábado, 2 de julho de 2011

ESTRELA PERDIDA.

De repente...sem perceber
Um imenso querer
Tomou conta de meu Ser.


E na ternura 
Do silêncio de meu pensar
Um sorriso escondido
Dentro de minha alma
Começou a desabrochar.


Ondas de contentamento
Se espalharam 
Pelas planícies de meu sonhar.
E uma estrela...que parecia perdida
No céu de minha vida
...Voltou a brilhar.


Brilhou com tal intensidade
Que por um átimo
Esqueci que era um sonho...
E pensei que era verdade.

MINEIRIDADE......do Poeta Luis Alberto Miguel Salerno

O Mineiro entre serras e vales, minérios e vocábulos:
é forte como a pedra de ferro que descansa nas entranhas;
é livre como a brisa que sopra nas velhas estradas reais.


E entre silêncios e devaneios, sonhos e sombras:
È rude como as mãos operosas de seus homens de luta e de paz;
É sensível como a alma de seus poetas de versos imortais.


E entre a farsa e a história, falácias e lutas:
É difícil como a palavra mais dura na prosa mansa da tarde;
É fecundo como o leite jorrado das tetas em maternal entrega.


E entre o grito e a indiferença, sertões e veredas:
é recolhido como as pétalas de uma inflorescência insuspeita;
É fundo como os gemidos da amada nas noites profundas.


E entre a fé e o ouro barroco de suas velhas igrejas:
É calado como o fim de um amor do tamanho do mundo;
É retorcido como as árvores do cerrado semeadas na cava funda


E entre dore, verdades contidas e inconfidências:
È solitário como os passos do boi, dia a dia, mugindo no campo;
É esconso como um poema escrito nas águas de um rio manso.

A FADA E O BEIJA-FLOR.....da Poetisa Gaucha Ju Armos

A impermanência das coisas me assusta,
Me devora, me sufoca, me impulsiona.
Porque desejar o sempre afoitamente
Se, em segundos, o azul do céu
Se cambia em tantas cores
Que arrepia os sentidos ?
Porque desejar tão completa e ardentemente
A segurança ilusória de um olhar
Se nem as nuvens permanecem estáticas
Enquanto as contemplo tão preguiçosamente ?
O beija-flor agita suas asinhas
Com a rapidez do perseguido.
Se alimenta do meu néctar,
Me seduz e me fascina.
Mas, quando pousou entre meus dedos,
O deixei partir, feliz e impensadamente.
Se todas as coisas duram apenas um segundo,
Se a vida passa tão célere, tão efêmera,
Talvez o que fique são os gestos,
Sons, cheiros e imagens
REVIVIDOS NA LEMBRANÇA...ETERNAMENTE.



sexta-feira, 1 de julho de 2011

EU APAGUEI A LUZ.

Eu apaguei a luz
Tudo ficou escuro.
Fui tão apressado
Mas foi sem querer...eu juro.


Cobro de mim mesmo 
A não percepção daqueles momentos
Que hoje se transformaram
Em angústias e sofrimentos.


Me dá vontade de sair correndo
Atrás de minha antiga felicidade.
E suplicar-lhe humildemente
Pra voltar...pra minha realidade.


Como esquecer que despertastes lindas sensações
Que estavam escondidas dentro de meu Ser
Que me ensinastes sobre a ternura
E o ritmo da beleza do viver.


Foi assim que aprendi que não devemos apressar nada
Afinal...tudo já é tão apressado.
Assim...quando quebramos o ritmo natural das coisas
EM VERDADE... COMETEMOS UM GRANDE PECADO. 

MUDANÇA DE VENTOS.

Eu te pergunto:
O que adiantou eu ser assim...
Sempre sereno...
Te dando o melhor de mim ?


Desisti...não correrei mas atrás.
Vc...vc sempre quer mais...mais.


Vou dar um mergulho em outras realidades
E intuo que estão chegando os dias.
Em que viverei de verdade...o que já sinto
Em sonhos e fantasias.


Sei que posso me decepcionar...sofrer...
Mas se não arriscar...jamais saberei...
Como será...esse brincar de viver.


Poetizo e falo tanto
Mas nunca fui para o jogo
Mas prometi a mim mesmo
Que farei esse inverno PEGAR FOGO.

ENSAIO.......do Poeta Luis Alberto Salerno Miguel

Eu imagino uma estrela,
para quando esta manhã,
sempre igual de homem feito,
se abrir num sol da infância.


E com a face mais secreta
das palavras recolhidas,
faço um poema de tal forma puro,
que só de ser lido fica rubro.


E para que essa minha estrela,
na rua torta, aqueça a sua porta,
coloco todo pudor destes versos,


onde cada mulher se reconheça,
uma jovem mãe que se revela,
num puro sonho de criança.